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O custo da negligência

 Por Carolina Oliveira Guedes

Baseado em fatos reais, “O Custo da Coragem”, conta a história da jornalista irlandesa, Verônica Guerin (Cate Blanchett), que foi além do papel de jornalista e se envolveu com traficantes perigosos no intuito de causar impacto na sociedade e mobilizar o governo da Irlanda em prol das vítimas do tráfico. Filme de 2003, dirigido por Joel Schumacher, foi indicado ao Globo de ouro na categoria de melhor atriz para Cate Blanchett.


            Na década de 90, Dublin – capital irlandesa - sofria com o número de jovens e crianças viciados em drogas, principalmente heroína. Os barões do tráfico enriqueciam cada dia mais e nenhuma providência era tomada pelo Estado a fim de reverter essa situação. Os bens dos criminosos não podiam ser congelados pela justiça do país, além da polícia ser corrupta. Verônica decidiu investigar a fundo quem estava por trás do tráfico de drogas e não teve cautela ao se envolver com uma fonte criminosa. Deixando de lado o critério da objetividade jornalística, ela não corroborou os fatos, publicando seus artigos de teor perigoso, pondo em risco a sua vida e a de sua família.


            Em junho de 1996, Verônica foi assassinada a mando do chefe do tráfico, e só depois disso, a justiça foi feita. O motivo para sua morte não foi apenas o desdém do governo quanto aos problemas por ela abordados, a sua vaidade em querer mostrar, principalmente aos outros jornalistas a capacidade que possuía e também a extrapolação dos seus deveres de jornalista, ainda que investigativa, ao fazer o papel da polícia, contribuíram para o ocorrido. É preciso saber o limite da investigação jornalística e a policial, o envolvimento com a fonte é um fator que compromete a notícia, afinal, não é possível saber até onde ela está sendo sincera.


            A busca pela notícia verdadeira muitas vezes se confunde com o anseio por justiça, e o jornalista geralmente se vê como justiceiro do povo, por possuir o poder da palavra. Entretanto, assumir esse papel além de perigoso é errado, a função principal do profissional de jornalismo é informar ajudando a desenvolver opiniões, tendo em vista que, a maneira como essa informação será passada é que influenciará na sociedade e no governo. Se Verônica ao invés de atacar os traficantes tão pessoalmente, tivesse atacado o governo e a polícia com mais intensidade, o efeito desejado surtiria e sua vida estaria a salvo.


            Em 2007, cerca de 106 jornalistas foram assassinados em todo o mundo, a maioria no Iraque. Esses crimes geralmente são praticados contra profissionais que investigam corrupção e tráfico de drogas. No caso do Iraque e dos países do Oriente Médio em guerra, a tentativa é calar aqueles que procuram denunciar a barbárie e os planos de ação dos grupos terroristas, a ponto de que, para sobreviver e trabalhar com segurança, é necessário se “aliar” a tais grupos como ocorreu com a imprensa palestina. Até onde existe a liberdade de imprensa?


            No longa, observamos que em 14 meses, 14 pessoas sofreram atentados e no início, vemos uma sendo brutalmente morta por traficantes e isso não repercutiu na mudança de leis e na sociedade. Esse fato nos leva a pensar, quantas pessoas já morreram lutando por uma causa e nada foi feito por não possuírem prestígio e fama? A vida de um anônimo guerreiro tem menos valor do que a de um famoso? A verdade é que nenhuma morte deveria ser necessária para que o governo agisse.


 



Título Original: Veronica Guerin
Tempo de Duração: 98 minutos


 



Escrito por Carol Guedes às 16h46
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